aquela manhã sacudiu a inércia do tempo que parecia imutável. Depois das notícias do golpe que decorria em Lisboa era o nervoso miudinho da espera.
a alegria instalava-se definitivamente ao cair da tarde quando a tv mostrava as imagens do povo de Lisboa, desde manhãzinha a dar força às forças militares, inundando as ruas, juntando-se aos soldados. E cravos vermelhos saiam dos canos das espingardas enterrando as balas, que ninguém queria o outro vermelho de sangue. Cachos humanos enfeitavam as árvores, as carutas duma cabine telefónica os arcos dum monumento. Rostos de coragem, que não de curiosidade! Peito feito às balas que viessem, se viessem. Rostos de gente que conhecia torturas da pide e prisões arbitrárias. Bocas que gritavam por LIBERDADE

Só quem o viveu é capaz de continuar a desejar: Vinte-cinco de Abril! Sempre!
Publicado por Inês